As quatro fés de Sarajevo — mesquitas, igrejas, sinagoga e catedral
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Quais são as quatro fés de Sarajevo?
As quatro comunidades religiosas de Sarajevo são a muçulmana (bósnia), a cristã ortodoxa (sérvia), a cristã católica (croata e outras) e a judaica sefardita. Os seus principais locais de culto — a Mesquita de Gazi Husrev-beg, a Igreja Ortodoxa Velha, a Catedral do Sagrado Coração e a Sinagoga Asquenaze — situam-se a menos de 500 metros uns dos outros na cidade velha.
Há uma encruzilhada na cidade velha de Sarajevo onde se pode ouvir, em sequência ou por vezes em simultâneo, o chamamento muçulmano à oração, o repicar de um sino de igreja e a memória de uma cultura que produziu algumas das mais belas músicas corais sefarditas do mundo otomano. Nenhuma outra cidade europeia oferece este estratificado particular do sagrado. Compreender como chegou a existir — e como por vezes foi frágil — é o que torna a exploração das quatro comunidades religiosas de Sarajevo uma das experiências mais enriquecedoras dos Balcãs.
Como Sarajevo se tornou uma cidade multifé
Sarajevo foi fundada como cidade otomana no século XV, organizada em torno de um eixo mesquita-bazar-ponte que continua a ser o ADN da Baščaršija até hoje. Os otomanos praticaram uma forma de tolerância estruturada (o sistema millet) que permitia às comunidades não muçulmanas manter as suas próprias instituições religiosas, tribunais e escolas em troca de lealdade e impostos. É por isso que os cristãos ortodoxos, católicos e judeus puderam construir locais de culto numa cidade cujo horizonte era definido por minaretes.
A administração austro-húngara (1878–1918) acrescentou uma nova camada. Viena trouxe instituições católicas, arquitetura neogótica, carros elétricos e a curiosa decisão de construir uma catedral católica diretamente em frente ao bazar otomano. A comunidade judaica asquenaze cresceu sob o domínio dos Habsburgos, à medida que chegavam mais judeus europeus do norte.
No início do século XX, Sarajevo granjeara a sua reputação de cidade de coexistência — não sem tensões, não sem conflitos ocasionais, mas genuinamente multiconfessional de uma forma que a maioria da Europa não o era. O cerco dos anos 1990 (1992–1995) atacou precisamente esta identidade: uma cidade predominantemente bósnia defendida por uma população multiétnica contra um projeto nacionalista que pretendia apagar a ideia de que o pluralismo de Sarajevo era real.
Faça uma visita guiada a pé pela cidade velha de Sarajevo e o seu património religioso para obter o contexto local que nenhum passeio autoguiado consegue replicar.
A Mesquita de Gazi Husrev-beg (Begova Džamija)
A maior mesquita da Bósnia foi encomendada em 1532 por Gazi Husrev-beg, o governador otomano (sanjak-bey) que também construiu o primeiro bazar coberto da cidade, a sua primeira caravançara e a sua primeira escola de direito islâmico. O arquiteto foi predecessor ou discípulo do grande Koca Mimar Sinan — as versões divergem — e o resultado é um belo exemplo de arquitetura religiosa otomana clássica: uma cúpula central ladeada por duas semicúpulas, um elegante minarete e um pátio com uma fonte de ablução sombreada por plátanos.
No interior, a sala de oração está decorada com inscrições caligráficas do Alcorão, azulejos de estilo İznik e tapetes doados por gerações de famílias de Sarajevo. O mihrab (nicho de oração que indica a direção de Meca) e o minbar (púlpito) são ambos em mármore branco esculpido.
No pátio da mesquita, uma torre do relógio de 1549 (sahat-kula) mostra o tempo lunar — isto é, o tempo calculado a partir do nascer do sol, para que as orações sejam corretamente cronometradas ao longo do ano. É o único relógio público deste tipo na Bósnia e um dos poucos que restam nos Balcãs.
Os não muçulmanos podem visitar fora dos cinco horários de oração diários (aproximadamente ao amanhecer, ao meio-dia, à tarde, ao pôr do sol e à noite — consulte localmente para horários exatos). Retire os sapatos à entrada, cubra braços e pernas, e as mulheres devem cobrir o cabelo. Aprecia-se uma doação modesta à entrada. A fotografia no interior é geralmente permitida, embora seja cortês perguntar.
A Igreja Ortodoxa Velha (Crkva Sv. Arhangela)
A Igreja dos Santos Arcanjos Miguel e Gabriel é o edifício mais antigo de Sarajevo ainda usado para o seu propósito original. A data exata da sua fundação é disputada — as estimativas vão do final do século XV ao início do XVI — mas certamente já existia na década de 1530, quando Gazi Husrev-beg reconheceu formalmente os direitos da comunidade ortodoxa de a manter.
A igreja situa-se num recinto murado perto do coração da Baščaršija. O seu interior baixo e sombrio está repleto de ícones, muitos deles ofertas das famílias mercantes sérvias de Sarajevo durante os séculos XVIII e XIX. Os ícones mais antigos da coleção datam do século XVI e estão entre os melhores exemplos de pintura de ícones dos Balcãs fora de Atenas ou do Monte Atos.
A entrada custa 3 BAM (1,50 EUR). A igreja está tipicamente aberta das 8h00 às 18h00, mas o horário é reduzido nas principais festas religiosas quando as missas se prolongam. A coleção merece pelo menos 30 minutos.
A Sinagoga Asquenaze e o Museu Judaico
A sinagoga principal de Sarajevo (Sinagoga, Mula Mustafe Bašeskije 38) é um edifício asquenaze de 1902, construído para a vaga de judeus da Europa Central e de Leste que chegaram durante a administração austro-húngara. É hoje utilizada principalmente para eventos culturais e concertos.
O local historicamente mais significativo para os visitantes é a Sinagoga Velha (Stara Sinagoga), situada em Baščaršija perto do bazar antigo. O edifício data do século XVI e alberga hoje um museu permanente da história dos judeus sefarditas na Bósnia, desde a sua chegada após 1492 até ao Holocausto e à pequena comunidade que subsiste hoje. O museu possui a Haggadah de Sarajevo — ou melhor, uma sua réplica; o original, um manuscrito iluminado do século XIV trazido de Espanha pelos refugiados, está guardado no Museu Nacional e é ocasionalmente exposto. A entrada no museu da sinagoga custa aproximadamente 5 BAM (2,50 EUR).
A história contada no museu não é confortável. Dos cerca de 14 000 judeus de Sarajevo em 1941, aproximadamente 12 000 foram assassinados pelo regime Ustasha e pelos nazis. Os poucos centenas que sobreviveram são os antepassados da minúscula comunidade de hoje.
A Catedral do Sagrado Coração (Katedrala Srca Isusova)
Concluída em 1889 sob a administração austro-húngara, a Catedral do Sagrado Coração é a maior igreja católica da Bósnia e uma das mais belas peças de arquitetura neogótica dos Balcãs Ocidentais. As suas torres gémeas são um marco de Sarajevo visível a partir do teleférico no Trebević.
O interior é luminoso e de teto alto, com vitrais representando cenas bíblicas e capelas laterais dedicadas aos patronos católicos bósnios. A catedral é a sede do Arcebispo de Sarajevo e é utilizada para grandes eventos cívicos e religiosos. Está aberta aos visitantes durante todo o dia; um pequeno livro de orações e um folheto histórico estão disponíveis em inglês.
Em frente à catedral, uma pequena praça abre-se para a Ferhadija, a principal rua pedonal da cidade nova austro-húngara — um marcador visual da transição da Baščaršija otomana para o urbanismo habsburguês.
O percurso a pé
Os quatro locais estão suficientemente próximos para ser percorridos em sequência, e o caminho liga-os através do coração histórico de Sarajevo.
Início: Mesquita de Gazi Husrev-beg, Baščaršija. Se possível, chegue às 9h00 para evitar os grupos de tour. Dedique 30–40 minutos.
Depois: Caminhe a pé para leste pelo bazar antigo (10 minutos) até ao recinto da Igreja Ortodoxa Velha. Reserve 30 minutos para a coleção de ícones.
Depois: Continue alguns minutos para sudeste até à Sinagoga Velha/Museu Judaico. Reserve 30–45 minutos.
Depois: Siga a pé para oeste pela Sarači e depois pela Ferhadija (15 minutos, agradável rua pedonal) até à Catedral do Sagrado Coração. Reserve 20–30 minutos.
Distância total a pé: Cerca de 1,5 km. Tempo total: 2,5–3,5 horas dependendo do ritmo.
Para maior profundidade — o legado dos Jogos Olímpicos de 1984, a história do cerco, os mercados de comida — consulte o nosso guia da cidade velha de Sarajevo e o nosso guia sobre o encontro de culturas em Sarajevo.
Para além das quatro fés
Sarajevo tem uma quinta tradição religiosa que vale a pena mencionar: as ordens dervixes. Os tekke (alojamentos dervixes) pontuavam outrora a cidade; um tekke em funcionamento permanece em Sarajevo hoje, o tekke de Kekeva, perto da Baščaršija. Não está habitualmente aberto ao público, mas a tradição do sufismo — a mesma tradição que está por detrás da Tekija de Blagaj — está profundamente tecida na identidade muçulmana bósnia.
Informações práticas
Como chegar a Baščaršija: Eléctrico linha 1, 3 ou 4 a partir do centro; ou 20 minutos a pé a partir da maioria dos hotéis perto da Ferhadija. Consulte o guia de transporte público de Sarajevo para detalhes.
Melhor altura para visitar: As manhãs de dia de semana são as mais tranquilas. A sexta-feira é o dia de oração congregacional muçulmano (Jumu’ah, por volta das 13h00) — evite visitar a mesquita neste horário. As igrejas ortodoxas estão mais movimentadas nas manhãs de domingo.
Visitas guiadas: Uma visita guiada ao património religioso acrescenta contexto que as placas e os guias de viagem não conseguem transmitir. Os guias locais de Sarajevo são uniformemente excelentes na história inter-religiosa.
Orçamento: Os quatro locais custam em conjunto aproximadamente 11 BAM (5,60 EUR) em taxas de entrada — muito modesto para meio dia de visita ao património.
Perguntas frequentes sobre as fés de Sarajevo
Pode-se rezar na Mesquita de Gazi Husrev-beg?
Sim. Os não muçulmanos podem visitar com respeito, mas a participação efetiva na oração muçulmana não é adequada a não ser que seja muçulmano. Observe com silêncio e afaste-se quando os fiéis chegarem para os horários de oração.
Sarajevo é uma cidade muçulmana?
A maioria da população de Sarajevo identifica-se como muçulmana bósnia, embora a religiosidade varie amplamente. A cidade é secular na vida pública — o álcool está amplamente disponível, as mulheres vestem-se como escolhem e o ritmo de vida é o de uma cidade europeia, não o de um enclave religioso. O chamamento à oração faz parte da paisagem sonora, mas não é dominante.
Que língua é usada nos serviços da sinagoga?
A comunidade judaica remanescente em Sarajevo usa o hebraico e o bósnio. As exposições do museu estão legendadas em bósnio e inglês.
O que aconteceu à Haggadah de Sarajevo?
O manuscrito iluminado do século XIV foi salvo múltiplas vezes da destruição — escondido dos nazis pelo curador muçulmano do museu durante a Segunda Guerra Mundial, depois escondido novamente durante o cerco dos anos 1990. Está agora guardado num ambiente controlado no Museu Nacional da Bósnia e Herzegovina (Zemaljski muzej) em Sarajevo, ocasionalmente em exposição. A entrada no museu custa cerca de 10 BAM (5 EUR).
Perguntas frequentes sobre As quatro fés de Sarajevo — mesquitas, igrejas, sinagoga e catedral
Os turistas podem visitar as mesquitas e a sinagoga de Sarajevo?
O que é a Mesquita de Gazi Husrev-beg?
O que é a Igreja Ortodoxa Velha de Sarajevo?
O que aconteceu à comunidade judaica de Sarajevo?
Sarajevo é realmente chamada a Jerusalém da Europa?
Qual é o melhor percurso a pé para visitar as quatro fés?
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